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Será que caso ou compro uma bicicleta?

Publicado em 13 set por em Blog |

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Casar é o propósito de crescimento, o compromisso com a fidelidade, uma proposta de envelhecer ao lado de alguém. Ser o subsídio nas horas turvas, doar os olhos quando as decisões cegarem o companheiro. Unir-se a alguém é mais que uma aliança dourada no dedo, a mudança de status nas redes sociais ou ter um a mais para pagar as contas. É além do sim no altar e do juramento “na saúde e na doença” ou “até que o divórcio os separe.” Pra mim, quem casa é porque já não consegue mais morar em si, precisa de outro alguém para ter uma segunda casa. É uma compra a prazo. Parcelas de convivência com os defeitos, com as manias, os trejeitos… Um bambolê de personalidades distintas. Um desafio e dois ganhadores: só perde quem cai na rotina e é esmagado pela comodidade. O verdadeiro amor é nutrido de situações atípicas, de carinhos fora de hora, de sexo sem hora marcada, de arquitetos que constroem a continuidade do encantamento.

Mas, e a bicicleta? A bicicleta é ela e pronto! Ela não te cobra se tu chegares tarde em casa, não vai fazer cara feia se tu fores a um churrasco na casa dos teus amigos, nem irá reclamar da toalha molhada em cima da cama, muito menos da tua gritaria assistindo futebol. A bicicleta é simples, prática e pode ser uma das tuas melhores amigas. Tu sobes, abre as pernas e saí por aí, com ela te carregando no colo e te mostrando o mundo. Dona de uma capacidade quase que indescritível, ela proporciona a sensação de liberdade, de saciação de fome da África e de paz na Síria. A brisa acariciando teus cabelos, a confusão do trânsito, a mobilidade entre os carros, te dá a mais infinita leveza, independência e felicidade. Como se ela fosse tua casa e o teu refúgio nos momentos difíceis.

Mas, vem cá?! Quem vai passar o domingo contigo quando estiveres com frio e cansado? Quem vai te fazer companhia em uma sexta-feira de feriado? Quem irá cobrar tua presença quando deres saudades? Quem irá te levar o papel-higiênico quando faltar? Quem irá reclamar da toalha molhada em cima da cama, da louça que ninguém ajuda a lavar e das roupas que tu não paras de sujar?

Ter uma bicicleta é ótimo, mas eu sugiro-lhes terem os dois. E vocês podem! O dia que o casamento estiver tenso e pesado, pega tua companheira e sai por aí a fim de refrescar tua mente. Desgasta os pneus da bike e não do teu relacionamento. Trai apenas o caminho que tu fazias antes. Mude a rota. Explore novos horizontes. Grite de raiva e chute o quadro quando ela inventar de deixar a côrrea escapar bem no meio de um cruzamento. Explode! Grita! Xinga! Ama e odeia tua magrela. Deixa-a em um canto quando ela estiver muito abusada, esquece por um tempo e pega de novo. Porque bicicleta dá! Dá e pode! Agora casamento, na primeira esquecida um dos “pneus” já vai começar a esvaziar. No segundo grito já esvazia o da frente. Na terceira esquecida, na quarta briga, na quinta confusão, no quinto xingamento já irá furar o pneu da frente, o de trás, afrouxar os freios e enferrujar por falta de cuidado. Aí meu amigo, não adianta tapar o furo com pistache. Nem implorar para o consertador trazê-la de volta.

Cuidar do que é teu é uma tarefa a qual foste ensinado desde pequeno, e a regra se aplica em todas as situações.  Cuida e te dedica no afeto de quem está ao teu lado. Afinal, quem disse que tu não podes ter os dois, só pode ter sido algum feio, solteiro e pobre. Então, casa! Casa e compra uma bicicleta!

Foto: Gui Soares.

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