Como tem andado o teu ano?

Tenho saudade da gente, das nossas risadas, das minhas tardes na loja que trabalhas, no teu sonho em ser da polícia, na tua expectativa de passar em direito, da tua vontade de viver a vida que afinava com a minha.

Lembra que eu tinha um sonho de pegar a mochila e viajar? Pois é, depois de muito tempo, consegui. Eu queria tanto te contar das loucuras que fiz, do trabalho que passei, dos lugares que eu tenho certeza que tu adorarias conhecer. Viajei até o nordeste durante quase quatro dias dentro de um ônibus, acreditas? Galinha, farofada e a lembrança que um dia tu fizeste isso, foram a companhia da viagem. Conheci um pessoal da Paraíba, onde me ensinaram a não acreditar na distância quando os meus sentimentos fossem sinceros. Então, aqui estou.

Fazes uma falta danada, mesmo tu achando que não. Sempre foste minha fuga em sorrisos melhores, alguém para dividir a pizza esquentada, o espaço na magrela, um a mais para sonhar junto o que, até então, era apenas sonho. Já não me importo se a minha presença é irrelevante na tua vida, ou se existem pessoas melhores que eu no teu caminho ou se eu nunca venha a entender o porquê central de nos distanciarmos, só quero te dizer que te amei, mesmo ainda aprendendo o que é amar. Mesmo ainda no crescimento de ser mais dedicado, de tentar te entender mesmo que pra mim, o teu entendimento fosse uma completa burrada. A lembrança de vestir as tuas roupas só para te fazer rir, são vivas como o teu abraço cheiroso ou as tuas idas ao banheiro de porta aberta; da comida da tua mãe, da tua graça para eu não comer muito para ter que sobrar para a janta, de toda simplicidade que eu admirava em ti junto à tua garra.

Talvez, nunca mais nos vejamos, troquemos mensagens, planejaremos um futuro mais promissor, já que nascemos pobres financeiramente. Entretanto, quero que saibas que estou morando onde eu te disse que um dia moraria; Floripa, na praia, beijando o sol. Caso não tenhas espaço para mágoas e lembrares que a vida pode terminar agora, lá em casa sempre tem bolo quente e histórias que ainda não ouviste. Afinal, morena, um dia eu perguntei se poderia ser teu, tu aceitaste ser minha. E, caso não te falhes a memória, não gosto de quebrar as minhas promessas.