Tô passando agora na tua casa para irmos de mochila ao encontro do mundo. Tu te ajeitas na bagageira da minha magrela e eu prometo te fazer a guria mais feliz que esta gurizada já viu. A gente larga tudo, vende o medo e o negocia pela nossa aventura. Eu já ando tão cansado de caminhar sozinho, que viajaria de Pelotas a Salvador contigo nos braços.

Já desenhei teu nome na porta do meu apartamento e já disse pro teu pai que tu és minha. Minha saudade fica brigando com o relógio e a porta lá de casa faz até um barulho diferente quando tu voltas. Não sei. Tô desconfiando que seja a tua bondade, tua camiseta do grêmio manchada de mostarda, teu cheiro de roupa limpa, tua boca falando minha língua, teus olhos me mostrando companheirismo no final da estrada. Ai, guria… Eu compartilharia contigo minha escova, o pudim da minha avó, minha gilete de barbear só para ver tua boca pronunciando as três primeiras letras do meu nome, te enxergar vestida em uma sexta-feira à noite, não para irmos ao melhor restaurante, mas sim para vivermos o melhor da vida. Largaria meu emprego de gravata só para vivermos como loucos por aí.

Nem que isso me custe o título de sonhador. Mas depois de ser deixado tantas vezes no meio da estrada, a frase “seguir em frente” passou a ser minha filosofia de vida... Então, arruma tuas coisas que hoje eu tô chegando aí. Entendi depois de tanto tempo, que eu precisava sim ser o cara para poder, então, encontrar uma guria de fundamento.