Minha avó, desde quando eu era piá, me falava para eu ser “resiliente” quando entrava berrando em sua casa. Naquela época, a palavra soava como afago para as minhas tristezas. Hoje, eu a tenho como imprescindível no meu "Kit de sobrevivência".

Resiliência retrata a forma de como o ser humano tende a se superar diante das adversidades da vida ou equilibrar a dor, de maneira que consiga estadia-la e conviver de maneira pacífica. Às vezes, a superação ganha êxito. Outras, o equilíbrio vence a fase. O ser resiliente é aquele que passa pelo vale da dor com os olhos vendados pela crença por dias melhores. Sem norte, caminhando descalço, o mesmo, quando consegue finalmente chegar em casa, tranca as portas e as janelas por medo de deixar alguém chegar e sair repentinamente.

A decepção é uma faca no peito das nossas expectativas. É a verdade com cara de mentira. A ausência do discernimento de não sabermos dizer adeus. Resiliência é a oportunidade de amadurecimento, riqueza de espírito, ganho de novas perspectivas diante de situações dolorosas. É como sermos uma árvore em meio à tempestade. Ela se contorce toda, voam galhos, encosta no chão e, quando vê dentro dela, o grito de sobrevivência revela sua real força e não a deixa morrer. Ela lembra que existem pessoas que a precisam e que não existe temporal algum que dure a madrugada inteira.

A tristeza também pode ser uma bênção. Só irá depender de como queremos vê-la e\ou transformá-la. Só fica no escuro quem não quer apertar o interruptor. Só